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19.02.2010 | Bandas Nacionais

Dawnfine

Convidada para abrir o show da banda alemã Final Selection em seu primeiro show no Brasil, os goianos do Dawnfine tiveram a oportunidade de se reapresentar num palco paulistano, novamente num aniversário da loja Soulshadow. O show não deixou nada a desejar e, desta vez, nós não perdemos a oportunidade e sentamos com eles no camarim do Inferno para um bate papo bem descontraído sobre a banda, a experiência com o lançamento do primeiro álbum e, claro, os planos para o futuro. Confira!

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Grupo Bella Noite: O que vocês acharam do show de hoje?

Marcus Paulo: Achei maravilhoso! A recepção do público foi maravilhosa, o som tava muito bom e foi um show quase perfeito. A gente queria ter se soltado mais, ter ficado mais descontraídos.

Jethro Mendonça: A gente acaba preso pela espectativa, mas as pessoas deram uma resposta positiva. Depois, quando a gente teve o feedback, a gente viu que foi um grande show.


GBN: Como foi o começo da banda?

Marcus: Primeiramente, somos amigos de infância. Vizinhos. Conheci o Jethro com 9 anos.

Jethro: Eu tinha uns 10 anos quando conheci os dois e eles já se conheciam a mais tempo.

Marcus: A gente sempre gostou de música, nossa infância foi nos anos 80, foi uma década de descobertas, de uma música incrível. Éramos menininhos, mas aquele som já tocava a gente.

Jethro: Na pré-adolescência a gente começou com a idéia de sermos músicos e ter uma banda. Eu era ligado em contra-baixo. E meu pai dizia: "Quê que você quer com isso? Você tem que estudar!" - aí acabei me envolvendo com isso por meus própios méritos. O Marcus tocava teclado, o Jim tocava guitarra e eu comprei o meu baixo por conta própria. Eu tinha uma banda e no início me juntei com um pessoal que tocava Legião e esse tipo de coisa. O Jim foi o último a entrar nessa onda e foi aí o Marcus veio com a idéia de formar uma banda eletrônica. O Dawnfine foi coisa dos anos 2000 mesmo, a gente tinha um sintetizadorzinho CZ1000 da Casio. Eu fazia umas coisas no baixo e bateria e o Jim tocava guitarra, o Marcus cantando. Temos muitas gravaçõs caseiras dessa época. Só quando a gente conseguiu por as mãos num computador é que as coisas foram amadurecendo. E, por último, esses teclados, são coisa recentíssima.

Marcus: Esses teclados foram mais pra tocar ao vivo, foi o mais recente da banda.


GBN: Vocês tiveram fases de criação em especial ou vocês vêm mantendo um ritmo de criação desde o começo?

Marcus: Começamos com o synthpop em 1995, mas nesse período estávamos nos estruturando e aprendendo. Não acordamos prontos escrevendo essas músicas, foi uma surpresa. Tivemos que aperfeiçoar o inglês, pra não cantar daquele jeito "the book is on the table". Esse período foi pra chegar num nível satisfatório.

Jethro: Em 95, em Goiânia, o cenário era grunge. Puro. Em todas as boates! Então a gente procurou uma sonoridade que encaixasse a gente. Chegamos a começar a ouvir coisas como Nine Inch Nails, Ministry, Filter, pra ver se a gente conseguia encaixar as nossas composições no cenário de Goiânia, mas aí a gente descobriu coisas bem mais eletrônicas, o And One por exemplo. Aí falamos: é isso que a gente quer!


GBN: Principalmente sendo uma banda de som próprio, vocês têm uma maturidade sonora muito grande. Como vocês compõe suas músicas?

Jethro: A composição teve algumas fases. Bem no início mesmo, os meninos faziam alguma coisa no violão, traziam pra mim e eu passava pro eletrônico. O Jim e o Marcus depois cuidavam da letra. Eu sempre fui péssimo como letrista, arrisquei algumas coisas, mas sinceramente, acho que eu devo ler mais [risos]. E o Marcus hoje em dia se desenvolveu assustadoramente, ele superou os níveis que a gente esperava dele. A Sheltered ele fez sozinho, Angel foi mais o Jim. No início a gente fazia junto, trocávamos mais idéias com as letras, a gente jogava um tema e ficava jogando frases naquele tema. Hoje não, o Jim está morando em Brasília, estamos mais afastados, então quando nos encontramos é pra botar a mão na massa e muita coisa já está pela metade, encaminhado.

Marcus: A parte da produção musical final é parte do Jethro, que ele tem veia pra arredondar a música, é ele quem finaliza. O Jim tá se desenvolvendo mais nessa parte de letrista e os dois são ótimos compositores. Acima de tudo queremos fazer boa música.


GBN: Como foi a gravação do "Imperfect Thoughts"?

Jethro: Fomos parar no estúdio da Monstro, que é mais hardcore. A princípio, quando o Marcus foi bater à porta deles, o cara não achou que a gente fosse gravar com letra. Ele pensou que era um trance ou algo assim, com lances de voz. E quando o Marcus soltou a voz lá ele ficou "... pô!" - e eles começaram a conversar mais. Começou a dar uns direcionamentos de vocal, como segunda voz e dobras. Acabou sendo nosso arranjador na parte de vocal. Hoje ele nos dá uma força, no nosso último show em Goiânia, ele levou um pessoal influente pra nos ver. O cara é ótimo produtor, mesmo tocando trash metal ele teve interesse no nosso som. O estúdio dele é muito bom, foi citado até na Rolling Stone, é o Rocklab do Gustavo Vazquez.

Marcus: Eu achei a gravação do álbum uma das coisas mais fascinantes, de ter visto esse material físico, que eu havia sonhado já há tanto tempo. Principalmente das últimas músicas, em especial a Sheltered. E uma música que tenho um carinho especial, porque compusemos durante o processo de gravação, é a Please. Foi uma experiência fantástica. Estou em vista do segundo álbum e espero que seja algo bem superior ao primeiro.


GBN: Como tem sido a repercussão do "Imperfect Thoughts"?

Marcus: Tem sido muito bom e já estamos pensando num segundo álbum. Mas por enquanto vamos continuar promovendo mais esse primeiro álbum.

Jethro: Enquanto os shows estão rolando estamos aproveitando. Eu e o Marcus já temos alguns rascunhos, porque às vezes bate uma idéia e a gente corre pro computador e programa. Às vezes tem só uma melodia de voz, não tem nem voz ainda, mas não desperdiçamos nada, não! Depois, quanto mais material tivermos para selecionar, melhor. Aquele frio na barriga do segundo disco... e agora? Mas isso ia acontecer... Acho que desde 95 temos umas 60 músicas. Tem coisas boas, mas tem outras que seriam mais um lado B de single.


GBN: Onde vocês querem chegar com o Dawnfine?

Jim Oliver: Essa pergunta é difícil. Mas eu diria que no próximo álbum [risos].

Jethro: Eu acho muito surpreendente, que hoje fizemos um show com o pessoal lá na frente cantando junto e pedindo as músicas. Outro dia fizemos um show em Goiânia e o pessoal pedia bis. Queríamos tocar Depeche e o pessoal pediu som próprio! Então essas coisas estão nos surpreendendo, a gente nunca imaginava que ia chegar onde já estamos. Eu não imaginava, achava que a gente ia lançar o disco e tocar aqui e ali. Eu já tô feliz, se se sustentar assim, tá ótimo!

Marcus: Eu quero ter um segundo álbum. Vai ter, né gente!? E eu quero estar no mainstream!


GBN: Então já que é assim, com tantos fãs agora, deixem uma mensagem pro pessoal que curte o Dawnfine.

Marcus: Primeiramente, vocês vão ter que tolerar a gente durante muito tempo! [risos]. Vocês vão ter que nos engolir!

Jethro: Tô super feliz, eu tô nas nuvens! Quero muito manter tudo isso e eu vou fazer o possível!


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